Plantar florestas é restaurar relações

A agrofloresta de ontem é a floresta de hoje. A que estamos plantando hoje será a floresta de amanhã. Por uma lente ecocêntrica de cuidado com a Terra, vamos entender como as agroflorestas criam relações positivas e não-violenta com a natureza.

Existem diversos modelos agroflorestais, desde os mais simples aos mais complexos. A ilustração mostra o sistema em “aléias”, com faixas de 2 a 6 m de largura. Embora uma floresta não seja enfileirada, essa organização facilita o manejo para quem não cresceu na mata e torna o sistema mais compreensível.

Nas margens das aléias, entram espécies perenes adubadoras, podadas periodicamente para alimentar o solo.Também ali se distribui um cultivo biodiverso, com espécies arbóreas, arbustivas, semilenhosas e herbáceas, ocupando diferentes estratos e seguindo a sucessão natural. Entre-aléias, podemos ter corredores de forrageiras, culturas de ciclo rápido ou áreas de manejo.

É importante lembrar que florestas de alimento de manejo coletivo existem na Amazônia há pelo menos 12 mil anos. No último século, esses saberes vêm sendo retomados movimentos agroecológicos e de base comunitária. Mais recentemente, nos últimos 50 anos, também passaram a ser estudados pela academia, dentro da agroecologia, diante da degradação inegável provocada pelas monoculturas que vêm arrasando a biodiversidade do planeta.

No Brasil, até 135 milhões de hectares estão em algum nível de degradação e podem ser restaurados com agroflorestas. “A degradação, se revertida, permite a recuperação da área; se não for interrompida, leva ao colapso”, destaca Ane Alencar, do IPAM e MapBiomas Fogo (https://abre.ai/restaura-degradacao).

Que em 2026 somemos esforços nessa direção. Só florestas vivas conseguem puxar a umidade, fazer chover, resfriar o continente, regular o clima e manter a vida funcionando. Restaurar é recolocar o coração da Terra para bater de novo.

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