Tempo

Algo se realiza no Tempo: planetas, atmosfera, vida, ciclos, música. A luz é memória do Tempo. Quando vemos a luz de estrelas, vemos algo que explodiu milhões ou bilhões de anos atrás. Assim, existe o tempo do relógio, que conta rotações, e existe o tempo cosmológico, que guarda mundos. Ninguém vê o Tempo, mas nada acontece fora dele, um parâmetro fundamental em qualquer equação física.

Em uma dessas simplificações para nos ajudar ver o todo, quando a história da Terra é condensada em 24 horas (1440 minutos), a ciência conclui que a humanidade teria surgido no último minuto dessa suposta duração. Ao longo de éons, o planeta vem acontecendo. Bilhões de espécies já surgiram no entrelaçamento do Tempo com a Terra, em quando processos de vida se relacionam e se transformam. Ou seja, surgimos depois de uma história geobiológica tão grande que é difícil de conceber. Ainda assim, a espécie humana tenta explicar o funcionamento das coisas a partir da perspectiva desse último lance, como se o tempo profundo pudesse escapar da História. “Quando já?”, como dizem na Amazônia.

Somos acelerados e o tempo não tem pressa. Nada do que sustenta a vida foi produzido por aceleração. Mesmo a máxima potência de energia que conseguimos liberar ao acelerar massas não gera metabolismo. É no tempo que a vida se organiza. Ele não passa em vão: ensina, amadurece, transforma. Quando essa diferença é ignorada, a aceleração passa a descartar memória ancestral e interferir nos próprios ciclos que sustentam a vida. Queremos que o nosso maior presente acabe logo?

Que estejamos inteiros nos encontros possíveis deste intervalo breve de uma longa História, com a decisão consciente de reconhecer o outro como parte do mesmo tempo e da mesmo mundo. Celebremos a sabedoria vivida. Menos ruído, mais presença, com generosidade para reinventar o comum quando precisamos reconstruir o sentido do que nos une.

Viva a Terra e o tempo que compartilhamos.
Que saibamos atravessar o novo ano dançando com mais leveza sobre o planeta.

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