A Amazônia precisa de proteção

É simples: a Ferrogrão não foi feita para a Amazônia. Foi feita para cruzá-la, esvaziá-la e convertê-la em corredor de passagem. A floresta não precisa de mais destruição.

O projeto é parte de um grande corredor para a expansão da soja, do gado e da grilagem na Amazônia. Seu traçado liga o Centro-Oeste ao Rio Tapajós, se articulando com rodovias como a MT-322 para criar um eixo contínuo em direção ao Parque Indígena do Xingu (https://abre.ai/policy-brief). Prevê também a privatização de rios. Na prática impulsiona o desmatamento, o crime organizado, conflitos de terra e expulsão de comunidades (https://abre.ai/trilhos-da-destruicao).

Os indígenas já sentem os impactos. Os povos Munduruku, Kayapó, Panará e as comunidades do Xingu já vivem sob ameaça. O governo não tem respeitado o direito à Consulta Livre, Prévia e Informada, garantido pela Constituição e pela Convenção 169 da OIT. A falha é tão grave que levou a APIB a rejeitar formalmente o processo de “negociação” imposto pelo Estado (https://abre.ai/nota-da-apib).

O discurso oficial diz que a obra vai “baratear o frete” para gigantes globais bilionárias do agronegócio. Também é vendida como “alternativa de baixo carbono”, mas isso não se sustenta. Ora, ela foi desenhada para expandir justamente o setor que mais emite gases de efeito estufa no Brasil. Segundo o SEEG, o agronegócio responde por cerca de 74% das emissões do país (https://abre.ai/seeg-relatorio).

Uma ferrovia correndo lado a lado a BR-163 duplica a via. Em 2020, o desmatamento no Sudoeste da Amazônia cresceu mais de 200%. Ora, a experiência da BR-163 mostra o que acontece quando se abre uma estrada sem proteger o território (https://abre.ai/efeito-cascata).

Especialistas em infraestrutura apontam que o projeto não se sustenta do ponto de vista econômico sem um aporte de dinheiro público que pode chegar a R$ 32,5 bilhões (https://abre.ai/ferrovia-inviavel).

A Amazônia precisa de floresta viva, água limpa e respeito aos povos-floresta.

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