Por que a privatização do saneamento não dá certo?

Na Inglaterra, o serviço de saneamento básico foi privatizado por Margareth Thatcher, nos anos 80. A Dama de Ferro, como ficou conhecida, tomou uma série de medidas para reduzir o tamanho do Estado, tornando-se a precursora do neoliberalismo no mundo. Já é evidente para os ingleses que a privatização indiscriminada dos serviços de água não deu certo. Diferente dos países vizinhos, até hoje a Inglaterra sofre com uma rede de esgoto velha e cheia de vazamentos, que data dos tempos vitorianos. Para piorar, o preço da tarifa inglesa teve um aumento de 40% acima da inflação desde a privatização.

As empresas privadas –Southern Water, South West Water, Thames Water– simplesmente não investem para arrumar vazamentos antigos, uma vez que isso diminuiria o lucro dos acionistas. Negócios são negócios, simples assim. De forma criminosa, têm despejado o crescente volume de efluentes de esgoto sem tratamento diretamente nas águas de rios ingleses e no Canal da Mancha. Cidades na costa sul e sudeste da ilha britânica sofrem prejuízos com altos níveis de contaminação fecal. Produtores de ostras, o setor de turismo e a própria população são vítimas do monopólio privado da água, que agora começa a ser responsabilizado por seus crimes ambientais. Este ano, em derrota histórica, a Southern Water teve que pagar 90 milhões de libras por despejar esgoto bruto nas águas costeiras.

Ambientalistas ingleses pedem que a Inglaterra acompanhe a onda europeia de reestatização dos serviços de saneamento. Defendem que só assim será possível ter um esforço coordenado pelo Estado para proteção dos mananciais.

Saiba mais:


Southern Water dumped raw sewage into sea for years – The Guardian: https://bit.ly/3rdxoHR
England’s water system: the last of the privatised monopolies – for now | The Guardian: https://bit.ly/3xtq8Zj
Tradução: Serviços de água e esgotos da Inglaterra: o último dos monopólios privatizados – por enquanto | ONDAS: https://bit.ly/3cTeyNS

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