Ecofascismo

Richard Branson e Jeff Bezos fazem bate-volta no espaço. Os dois disputam o lugar de mais rico do mundo e gastaram bilhões para fazer dois voos espaciais. Sabe-se lá quantas toneladas de CO2 cada projeto emitiu. Enquanto isso na Terra, 735 milhões vivem com menos de 2 dólares por dia, bilhões vivem em situação de vulnerabilidade e estimativas calculam 1,2 bilhão de refugiados climáticos nos próximos 30 anos, vítimas de eventos extremos, crise hídrica, impacto ambiental de grandes projetos de mineração e energia, conflitos armados e falta de saneamento. Só na pandemia, 150 milhões de pessoas caíram na extrema pobreza. O Sul Global está na linha de frente. Já são 4 milhões de pessoas mortas por Covid19, uma doença evitável e que tem cura. A pandemia ainda não acabou, nem a crise climática. 

O que precisa mudar aqui na Terra? Quem mais impacta o planeta? Somando, a lista traz por volta de 200 grupos no mundo todo: petrolíferas, indústria alimentícia, química, agro, de transportes, madeireiras e indústria tecnológica. Esses 200 são responsáveis pela maior parte da emissão global e da destruição, mas atuam com lobbies políticos e acadêmicos, influência direta em governos e forte trabalho de marketing, garantindo impunidade, consumo crescente, cego e acelerado.

Nesse contexto, cresce o discurso ecofascista, que no lugar de questionar a desastrosa gestão de recursos e destruição deliberada por 200 grupos, explica que o problema é ter gente demais no planeta. Um discurso que defende a necessidade de deixar acontecer uma limpezinha de humanos na Terra. Acreditam que se diminuírem número suficiente de humanos, o planeta pode ser mais sustentável. “Ecologia ariana”. “Ódio verde”. 

No Brasil, ecofascistas esquecem-se que no país, por exemplo, tem mais gado que gente –o gado não passa fome e têm onde morar. Fica claro que o problema do agravamento da pobreza, da destruição ambiental e do surgimento de pandemias é consequência de um sistema em colapso, altamente destruidor e insustentável. Não dá mais para deixar-fazer, deixar-passar. O fracasso é global. A maior parte da humanidade está afogada na pobreza, cercada por toneladas de lixo embaixo de uma camada de fumaça. 

Saiba mais:

Ecofascismo: em defesa do planeta, movimento prega xenofobia e ‘limpeza’ – TAB UOL: https://bit.ly/3wUY8fx 

O Ecofascismo – Carlos Taibo: https://bit.ly/2VNTX4p

Ecofascismo – segue o fio de Celia Sanchez | @nomelouco37: https://bit.ly/3rAsMdb

Ecofascismo – segue o fio de Maldição de Cassandra | @bicicreta: https://bit.ly/3eD2Rw7Ecofascism: Lessons from the German Experience: https://bit.ly/2VU527O

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