Programa Cisternas

No sertão nordestino, soluções centralizadas para o abastecimento de água em comunidades rurais de baixa renda são difíceis de implementar pelo custo e pelas distâncias entre elas. Desafio posto, faltava uma saída para garantir acesso à água para consumo humano, para a agricultura e dessedentação de animais no semiárido. 

Em 2003, o Ministério do Desenvolvimento Social criou um modelo descentralizado de baixo custo e fácil manuseio para famílias enfrentarem a seca: o Programa Cisternas. Com a instalação simples e barata, esses reservatórios de água de chuva garantiriam uma reserva de água suficiente para manter uma família de cinco pessoas durante os oito meses da estiagem. De tão efetivo, o Programa Cisternas foi reconhecido em 2017 pela ONU com o Prêmio Internacional de Soluções para o Futuro. 

Entre 2003 e 2018, o Programa Cisternas instalou 930.000 reservatórios para famílias rurais de baixa renda no semiárido. Segundo a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), uma rede de organizações da sociedade civil formada por ONGs, instituições sindicais, religiosas e de agricultores familiares, faltava ainda instalar 350.000 unidades.

Seguindo o ritmo dos governos anteriores, daria para ter concluído a instalação de cisternas para as famílias mais vulneráveis à seca do semiárido nordestino até 2022. Infelizmente, não foi o que aconteceu. Há três anos, há um verdadeiro desmonte do programa Cisternas e o atual Ministério da Cidadania conseguiu instalar em três anos apenas 36.000 unidades, sendo que em 2021 foram apenas 2.700 mil unidades.

Em reportagem da Folha, o governo alega que a pandemia atrapalhou. A reportagem também revelou por sobrevoo de drone dezenas de caixas d’água de 15 mil litros destampadas, tratores e tubos de irrigação parados e mal armazenados, tudo estragando em depósito da  Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba/Codesvasf, em Petrolina. Em nota, a companhia disse:  “A transferência de bens para beneficiários requer processo administrativo e publicação de informações no Diário Oficial da União. Até que sejam finalizados, os procedimentos demandam a permanência dos equipamentos em áreas de armazenamento”.

Saiba mais:

Programa que levou cisternas ao semiárido brasileiro é premiado – Agência Brasil – 2017: https://bit.ly/3rSgpuXBolsonaro desmonta programa de cisternas e favorece uso político de emendas – Folha: https://bit.ly/3rODCOvCISTERNAS – portal Embrapa: http://bit.ly/32gWPIl

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